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Síntese de Conjuntura do Sector da Construção Civil e Obras Públicas

Ideias-chave:

- Situação económica, em Outubro, caracterizada por menos pessimismo.

- Região Norte com pior desempenho no mercado habitacional.

- Construção em Portugal com uma queda de 13%, sem paralelo na União Europeia.

Em Outubro, as expectativas dos empresários do sector construção civil e obras públicas medidas pelo inquérito mensal à construção realizado pela AICCOPN, revelam menos pessimismo acerca da situação económica, com o indicador de conjuntura global a revelar uma evolução positiva de 1,5 p.p. em relação mês anterior, situando-se em -26,6%.

As melhorias detectadas verificam-se ao nível da situação financeira que apresenta uma subida de 2,4 pontos percentuais; dos preços praticados pelas empresas de com uma variação positiva de 1,7 pontos percentuais; e das expectativas de produção para os próximos 3 meses, que passaram de -20,1% para -18,9%.

Quanto à carteira de encomendas, apesar de registar o valor mais elevado do ano, mantém-se em patamares extremamente baixos, sendo o indicador com o saldo de respostas extremas mais negativo (-45,6%). Na realidade, o factor apontado por cerca de 70% das empresas inquiridas como maior condicionante à actividade é a insuficiência da procura.

Segundo o novo índice de emprego remunerações e horas trabalhadas no sector da construção civil e obras públicas recentemente publicado pelo INE, o emprego, em termos homólogos acumulados, revela uma tendência de deterioração que, em Agosto último, atingiu uma queda de 7,6%. No mesmo sentido, nesse mês o índice relativo ao número de horas trabalhadas apresentou, em termos homólogos acumulados, uma descida na ordem dos -6,9%.

No que concerne ao segmento das obras particulares e mais concretamente ao licenciamento de obras de habitação e ao número de fogos licenciados, verifica-se uma queda acumulado de Janeiro a Agosto de 9% e 15%, respectivamente. A Região Norte é ao nível do continente português, aquela que apresentou o pior desempenho nestes indicadores, com uma queda de 17% nas licenças para habitação e de 28% no número de fogos licenciados.

Em termos europeus, o sector da construção português é o que apresenta a situação económica mais grave. Desde o 3º trimestre de 2002 que, em Portugal, o VAB desse sector tem vindo a observar variações negativas, culminando no 2º trimestre de 2003 numa perda homóloga de 13%. Este é um caso sem paralelo, pois mesmo na Finlândia, onde se tem verificado semelhante tendência, o nível da queda é incomparavelmente menor, situando-se em -2,6%. Note-se que não obstante a perda em 0,7% no VAB da Zona-Euro, em termos homólogos, no cômputo da União Europeia este sector cresceu em 0,5%. Não sendo, necessariamente, Portugal o país europeu melhor dotado de infra-estruturas, percebe-se que não nos encontramos numa rota de convergência face aos demais membros da UE.

Qualquer estratégia de alavancagem de crescimento da economia portuguesa na retoma externa implica uma forte aposta no investimento, não compatível com o corte que se verificará em 2003, ano durante o qual a FBCF nacional cairá em 9,2%[1]. Só com uma forte aposta em investimento é possível apanhar o "comboio" do crescimento económico juntamente com os restantes países europeus, nomeadamente em infra-estruturas, visando recuperar o atraso e facilitar o transporte de pessoas e mercadorias, para melhor competir e atrair o investimento estrangeiro. Disso mesmo é exemplo a recente decisão de concretização das linhas ferroviárias de alta velocidade, projecto há muito ambicionado.

[1] Fonte: Comissão Europeia, previsões de Outono.

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