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Síntese de Conjuntura do Sector da Construção Civil e Obras Públicas
Texto integral.

No mês de Junho todos os segmentos do sector da construção, desde os de edifícios habitacionais e não habitacionais ao de obras de engenharia civil, sentiram uma travagem no processo de melhoria de expectativas, tendo o Indicador Global de Conjuntura[1] registado uma variação mensal de 0,6 pontos percentuais (p.p.). Atendendo a que, nesse mês, esse indicador se situou em -22,8%, a redução do ritmo de atenuação do pessimismo dos empresários deste sector poderá significar o protelar da inversão do clima de sentimento económico.

Os sinais dados pelas opiniões expressas pelas empresas são de alguma contradição, ao contrário de meses anteriores em que todos os indicadores de conjuntura observaram variações positivas. O indicador relativo à carteira de encomendas, apesar de se manter em níveis muito reduzidos (na ordem dos -43,7%), teve um acréscimo mensal de 1,5 p.p., atingindo os 1,9 p.p. no caso das obras públicas. Neste segmento, as encomendas correspondem já a 8,4 meses de trabalho, quando em Janeiro deste ano correspondiam a 6,9 meses. Esta evolução vai de encontro à variação do índice de novas encomendas recentemente publicado pelo INE[2] o qual, no que concerne às obras públicas, revela um aumento homólogo das encomendas de 54,3%. Sendo este índice medido pelo número de concursos públicos lançados, o seu confronto com as opiniões expressas pelos empresários leva a concluir que esta dinâmica de concursos só em parte se traduziu em verdadeiras encomendas para as empresas, havendo muitas obras por adjudicar.

No actual quadro político, a incerteza instalada pode levar a recear o adiamento da adjudicação dessa bolsa de obras, condicionando a formação de expectativas quanto ao futuro próximo. Isso pode explicar a deterioração de perspectivas de produção para os próximos três meses manifestada pelas empresas de obras públicas cujo indicador, de -3,4% em Março, evoluiu para -7.2%. Da mesma forma, no que concerne ao mercado habitacional, o indicador de produção para os próximos três meses inverteu a tendência de recuperação, caindo em 1,5 p.p.. Neste caso, podem estar em causa as expectativas quanto à publicação de alguns diplomas chave para animação do mercado, nomeadamente os relativos ao arrendamento e ao anunciado programa de financiamento de obras de reabilitação urbana, o Rehabilita.

A instabilidade e indeterminação quanto ao rumo económico futuro condiciona a disposição para realizar investimentos e prejudica a criação de novos postos de trabalho muito em especial no segmento de edifícios habitacionais, cujas expectativas a três meses se degradaram pelo segundo mês consecutivo. No caso das obras de engenharia civil, se em Março havia um cenário de aumento do emprego (com uma variação de 5,5 p.p.), em Junho essa variação foi de somente 0,5 p.p.. A este respeito importa ter presente que, segundo o INE, o primeiro trimestre de 2004 foi o quinto trimestre consecutivo com variações homólogas negativas no número de empregados no sector, registando o menor número de empregados da década em curso, com 557 mil pessoas empregadas.


[1]Instituto Nacional de Estatística.



[2]Instituto Nacional de Estatística.


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