Comunicação / Notícias (outras)

Missão Empresarial

A Argélia, país que há cerca de dois anos recebeu a primeira missão empresarial organizada pela AICCOPN e que já então era um dos mercados que Portugal identificara como estratégicos para o incremento das exportações nacionais e para a internacionalização das nossas empresas, continua a merecer a atenção governamental e do tecido empresarial português.

É neste quadro que se enquadra a visita oficial que, entre 1 e 3 de Julho, os ministros portugueses da Economia e Inovação, Dr. Manuel Pinho, e das Obras Públicas, Eng.º Mário Lino, promoveram àquele país do Norte de África, liderando uma missão empresarial constituída por cerca de oito dezenas de pessoas, em representação de cinco associações empresariais, três entidades bancárias e 57 empresas de diversos sectores de actividade, entre as quais cerca de três dezenas na área de engenharia, construção e obras públicas, oito das quais associadas das AICCOPN, que foi representada nesta viagem pelo director Sr. António Cavaco.

O primeiro dia desta Missão em Argel foi dedicado a um Seminário Económico Luso-Argelino, evento que contou com a presença do Ministro das Obras Públicas português e do seu congénere argelino, bem como do Ministro da Economia e Inovação de Portugal e o Ministro das Participações e Promoção do Investimento da Argélia. Durante este Seminário os participantes puderam conhecer detalhadamente o vasto programa de modernização da economia argelina e o investimento público previsto para atingir os objectivos traçados pelas autoridades daquele país.

Conhecidas as grandes linhas estratégicas, decorreram depois diferentes workshops sectoriais, onde se discutiram várias oportunidades de investimento e partenariado, com particular destaque para as que se enquadram no plano de modernização das infra-estruturas, nomeadamente no que concerne ao programa de construção de estradas, aeroportos, portos, obras hidráulicas e equipamentos desportivos. No centro das atenções esteve, igualmente, o sector do turismo, área que a Argélia está igualmente apostada em desenvolver.

O segundo dia do programa foi dedicado a contactos entre empresários portugueses e argelinos, que decorreram em paralelo com o programa oficial dos dois ministros, o qual incluiu uma recepção pelo Primeiro-Ministro da República Democrática e Popular da Argélia, Sr. Ahmed Ouyahai.

Os participantes na Missão mostraram-se particularmente agradados com a forma como a mesma foi organizada, já que durante todo o programa foi evidente o empenho e a eficiência da actuação dos serviços da Embaixada de Portugal na Argélia, onde é devida uma particular referência ao Sr. Embaixador Almeida Sampaio, do ICEP, na pessoa do Sr. Dr. Miguel Coelho, bem como da Câmara de Comércio e Indústria Arábe-Portuguesa e do seu presidente, Eng.º Ângelo Correia, algo que nem sempre acontece em organizações desta natureza.

Uma economia em

franco crescimento

A Argélia é um país com um vasto território de 2.300.000 km2 e com uma população jovem de mais de 33 milhões de habitantes, concentrada numa estreita faixa junto ao litoral. Argel, a capital, é uma metrópole com 4,5 milhões de pessoas. O árabe é a língua oficial mas o francês é falado por praticamente toda a população.

A Argélia iniciou nos últimos anos um processo de reformas, de abertura e de liberalização política e económica, de modernização das instituições e de atracção do investimento privado (nacional e estrangeiro), que se reflecte em taxas de crescimento do PIB de 4,1% em 2002, 6,8% em 2003, 5,8% em 2004 e que se prevê de 7,5% em 2005 e 6,4% em 2006, tendo por base o sector dos hidrocarbonetos que é, ainda, o principal motor da economia. A taxa de inflação mantém-se na casa dos 4%, sendo que as finanças públicas apresentam um superavit de 5,9%.

A taxa de desemprego, actualmente superior a 20%, é uma das grandes preocupações da governação argelina, que vê num extenso programa de investimento público uma oportunidade para a sua redução e para um aumento consequente do consumo privado.

As relações comerciais com Portugal têm conhecido um forte incremento nos últimos anos. Em 2004 a Argélia foi o 15º mais importante fornecedor de Portugal, sendo a Balança Comercial deficitária para Portugal em cerca de 450 milhões de Euros.

Parece, pois, inequívoco o caminho percorrido por este importante parceiro comercial do nosso país no sentido de uma estabilidade macroeconómica, da normalização da situação política e da estabilidade social, apresentando excelentes condições para uma boa performance e crescimento económico para os próximos anos. É, pois, inegável a oportunidade que constitui este mercado emergente de 30 milhões de habitantes, geograficamente próximo e culturalmente com múltiplas afinidades com Portugal.

Os investimentos

e as oportunidades

A actual e muito favorável situação macroeconómica do país, como se percebe dos indicadores atrás referidos, tem permitido ao Governo argelino delinear ambiciosos programas de apoio ao crescimento económico, designadamente o traçado para o período 2005­-2009, com uma verba superior a 40 mil milhões de euros, grande parte dos quais direccionada para o investimento em infra-estruturas.

Acresce que metade deste envelope financeiro, ou seja, mais de 19 mil milhões de euros, se destina a melhoria das condições de vida da população, como se constata da afectação dos mesmos:

  • Construção de 1 milhão de habitações (cerca de 5,55 mil milhões de euros);

  • Desenvolvimento dos estabelecimentos de Educação Nacional, Formação Profissional e do Ensino Superior (4 mil milhões de euros);

  • Reforço das infra-estruturas de saúde (850 milhões de euros);

  • Abastecimento de gás e electricidade a mais de 1 milhão de lares (65 milhões de euros);

  • Abastecimento das populações em água potável, independentemente das grandes infra­-estruturas (1,27 mil milhões de euros);

  • Incentivos ao emprego e solidariedade nacional (950 milhões de euros), como a construção de 150.000 locais, em todos os municípios, a favor dos desempregados;

  • Programas municipais de desenvolvimento (2 mil milhões de euros);

  • Desenvolvimento das regiões do Sul e dos Altos Planaltos (2,5 mil milhões de euros).

Por outro lado serão canalizados cerca de 17 mil milhões de Euros para o desenvolvimento das infra-estruturas de base, tais como:

  • 7 mil milhões de euros para o sector dos Transportes, os quais permitirão concluir as grandes obras em curso e construir outras, como a modernização da rede ferroviária;

  • 6 mil milhões de euros destinados aos sector das Obras Públicas para conclusão dos projectos em curso, como a auto-estrada Este-Oeste de que faltam concluir, até 2009, cerca de 1000 km, e realização de outros projectos como a construção e reabilitação de mais de 15.000 km de estradas;

  • 4 mil milhões de euros para os projectos hidráulicos, barragens ou transferências de água.

Serão igualmente canalizados 3,5 mil milhões de euros de apoio ao desenvolvimento económico do país. Entre os sectores cobertos por este pacote estão a agricultura e o desenvolvimento rural, os quais receberão 3 mil milhões de euros.

A modernização do serviço público contará com mais de 2 mil milhões de euros, sendo que 340 milhões vão para a Justiça, 640 milhões para as Finanças e 650 milhões para a modernização das colectividades locais e a Segurança Nacional.

No Turismo, os ambiciosos objectivos do programa do Ministério do Turismo, apontam para um crescimento do número de visitantes dos actuais de 1,2 milhões para 3 milhões até 2013, aumentando a capacidade de alojamento para 187.000 camas e criando 230.000 postos de trabalho através de investimentos de cerca de 2,5 mil milhões de euros.

Neste sentido foram identificadas dezenas de Zonas de Expansão Turística (ZET) ao longo do litoral e elaborados planos de desenvolvimento turísticos, estando em curso o programa de privatização de várias unidades que já atraíram alguns dos maiores grupos operadores mundiais (Starwood - Sheraton e Westin; Accor - Sofitel e Mercure; Marriot; Eddar Siddar; Al Harned).

A AICCOPN está, naturalmente, à disposição dos associados, em geral@aiccopn.pt, para disponibilizar informações complementares sobre a missão empresarial e sobre o mercado argelino, sendo que o ICEP tem disponível on-line um vasto conjunto de informações em www.icep.pt ou através de correio electrónico para informacao@icep.pt.

Partilhar facebook Partilhar google+ Partilhar twitter