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Nota de Conjuntura de Novembro

Ideias-chave:

i) indicador de expectativas futuras de produção nas obras públicas cai 34,1 pontos percentuais em apenas 8 meses,

 

ii) 2005 deverá fechar com uma queda de produção na ordem dos 4%,

 

iii) em 2001-06 Portugal terá -19% de investimento em construção, contra +33% em Espanha e +30% na Irlanda.

O segundo semestre de 2006 marca o retorno a uma trajectória de agravamento do pessimismo dos empresários da construção civil, tendo o Indicador Global de Conjuntura [1] apurado pela AICCOPN caído 3,9 pontos percentuais (p.p.) desde Junho deste ano. Esse movimento é ainda mais acentuado no caso das expectativas futuras, cujo indicador, em igual período, teve uma queda de 5,7 p.p.. Este comportamento do sentimento económico dos empresários é relevante, pois resulta de uma série de 5 meses consecutivos de perda de expectativas quanto ao futuro próximo, depois de este indicador ter registado uma série de 26 meses quase sempre em movimento ascendente (exceptuam-se três meses).

A justificação essencial para esta inversão encontra-se na persistência da queda abrupta das perspectivas de produção futura no segmento de obras públicas. Se em Abril deste ano os empresários com actividade nesse segmento tinham expectativas que elevavam o respectivo indicador para +7,7%, em Novembro esse mesmo indicador encontra-se em -26,4%, ou seja, -34,1 p.p. em apenas 8 meses. Nos demais segmentos o comportamento também é negativo. Porém, é-o numa escala menos gravosa.

Tal travagem, brusca e intensa, no mercado de obras públicas tem evidentes impactos na criação de emprego nos próximos três meses, uma vez mais contrariando o sucedido ao longo do 1º semestre do ano.

A evolução das obras adjudicadas não deixa margem de dúvida, pois desde Junho que a respectiva taxa de variação acumulada tem sido inferior a -20%, levando a taxa de variação média anual do índice de produção de obras de engenharia civil a agravar a sua evolução recessiva, estando desde Junho nos -5%, três p.p. abaixo do que sucedia no começo do ano.

Tendo em conta o contributo igualmente negativo do segmento de construção de edifícios, o ano 2005 deverá fechar com uma queda de produção na ordem dos 4%. Tal estimativa é confirmada pelas previsões da Comissão Europeia relativas ao investimento em construção. Esse organismo reviu em baixa a previsões quanto ao crescimento do investimento em construção feito em Portugal, agravando a queda de 1%, que previa em Março deste ano, para uma variação de -3,6%.

A redução das encomendas, seja via licenciamento municipal de obras particulares, seja via adjudicação de obras públicas, para além dos impactos imediatos no sector, não deixa margem para o crescimento da actividade em 2006, sendo de -0,5% a variação que a Comissão antevê que o investimento em construção venha a ter nesse ano. Quando se olha para os resultados dos diversos estados-membros da UE, é-se levado a concluir algo que, infelizmente se torna recorrente neste tipo de análises: em 2005, exceptuando o crónico problema alemão, Portugal tem novamente a maior queda da construção, encontrando-se totalmente desalinhado do padrão de comportamento europeu.

A zona-euro investe mais 1,2% em 2005, cabendo ao mercado espanhol a maior dinâmica, atingindo a impressionante marca de +7% face a 2004. Se entre 2001 e 2006 Portugal verá o investimento em construção cair 19%, em Espanha, em igual período, essa variação será de +33%. O mesmo se pode dizer da Irlanda que, depois de ter crescido 13,2% em média nos anos 1996-2000, crescerá 30% entre 2001 e 2006, à média de 5,5% ao ano.

 

 

 

[1] Indicadores medidos em saldos de respostas extremas.
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