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Nota de Conjuntura de Abril

Ideias-chave:

i) Indicador Global de Conjuntura estabilizado em -5 p.p. face ao ano anterior,

ii) Carteira de encomendas nas obras públicas apenas assegura 5,7 meses de trabalho,

iii) Mercado habitacional em pressão, com variação de -1,0% dos valores de avaliação bancária no 1º trimestre de 2006.

Em Abril, o Indicador Global de Conjuntura da AICCOPN situou-se nos -22,5%, o que revela que ao longo dos últimos seis meses houve uma estabilização do sentimento dos empresários do sector da construção 5 pontos percentuais (p.p.) abaixo do observado no período homólogo. Contudo, tal comportamento verificado em termos globais não traduz a evolução verificada ao nível dos diferentes segmentos de actividade, já que enquanto o segmento da construção/reabilitação habitacional apresenta, neste momento, sinais de ligeiro desagravamento do sentimento económico, o segmento das obras públicas continua numa trajectória de agravamento das expectativas empresariais.

De facto, no que concerne ao segmento das obras públicas as perspectivas não são animadoras. Os meses de produção assegurada pela carteira de encomendas reduziu-se para 5,7 meses, ou seja, menos 1,9 meses do que em Abril de 2005. No mesmo sentido, as perspectivas dos empresários relativamente à produção prevista para os próximos três meses, apesar de alguma melhoria verificada nos últimos meses, encontram-se 10,8 pontos percentuais abaixo do verificado há um ano atrás, pelo que a pressão sobre os preços e o emprego irá manter-se.

Quanto ao segmento da habitação, está-se a assistir a uma pressão crescente sobre as empresas, que se defrontam com o sistemático aumento dos custos de construção, que registaram uma taxa de variação média anual de 2,6% em Fevereiro último, a qual têm dificuldade em repercutir nos preços de transacção, com as perspectivas empresariais de variação dos preços nos próximos três meses a permanecerem em terreno negativo. Apesar da relativa descompressão deste indicador ao longo dos últimos 12 meses, durante os quais registou uma variação homóloga de 2,3 p.p., situando-se em -2,6% (medido em s.r.e.) em Abril. Este comportamento do mercado acontece ao mesmo tempo que os dados do INE, relativos aos valores de avaliação da habitação, têm vindo a manifestar uma desaceleração ao longo dos dois últimos anos, atingindo mesmo variações negativas no 1º trimestre de 2006. É o terceiro ano consecutivo que os valores de avaliação descem no 1º trimestre do ano, levando ao abrandamento da evolução do mercado.

Esta queda, a manter-se nos próximos trimestres, justifica o receio de que as perspectivas quanto à evolução futura dos preços da habitação voltem a degradar-se, com isso acentuando a pressão, desta feita pelo lado das receitas.

Em paralelo, o início do ciclo de aumentos da taxa de juro decidida pelo Banco Central Europeu pode provocar uma contracção da procura, na medida em que este aumento responde à retoma económica que sucede em alguns estados-membros da UE, que não Portugal. Assim, a economia nacional sofre o impacto negativo dessa retoma, sem dela beneficiar. Tal afecta em especial as famílias. Para estas a estagnação do rendimento acompanhada do aumento nominal dos juros leva à redução da sua capacidade de endividamento, podendo contrair a sua disponibilidade para adquirir habitações de maior valor. A resposta da banca é aqui um factor essencial, não só pela redução de spreads como pelo aumento dos prazos de amortização.

De todo o modo, as dificuldades financeiras não se limitam ao mercado habitacional. Também os empresários que trabalham no segmento das obras públicas, por força dos constantes e persistentes atrasos nos pagamentos por parte das autarquias municipais. Segundo o último inquérito semestral aos atrasos nos recebimentos nas obras públicas, realizado pela AICCOPN, o tal prazo médio situa-se nos 6,0 meses, tendo subido face aos 5,8 meses apurados anteriormente. Segundo esse inquérito, em média, as autarquias somente em 5% dos casos respeitam um prazo inferior a 3,6 meses.

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