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Sintese de Conjuntura da AICCOPN - Setembro

Em Setembro, o Indicador Global de Conjuntura da AICCOPN mantém tendência de baixa generalizada, face ao registado há um ano, atingindo os -24,7 de saldo de respostas extremas (s.r.e.). A maior pressão verifica-se ao nível das obras públicas com o Indicador respectivo a registar uma queda acentuada de 9,0 pontos percentuais (p.p.) face ao registado em Setembro de 2005. Ao nível do segmento habitacional a pressão é ligeiramente negativa, caindo o indicador 2,6 p.p..

Na verdade, a publicação das Contas Nacionais Trimestrais, referentes ao 2.º trimestre de 2006, veio confirmar o mau momento que o sector da construção atravessa. O investimento em construção caiu, em termos homólogos, 8,9% em volume, depois de no trimestre anterior ter registado uma quebra de 3,0%. Note-se que o volume de investimento em construção no 2.º trimestre de 2006 corresponde a 74,9% do investido no 2.º trimestre de 2002, ou seja, estamos perante uma queda de 25,1% face a igual trimestre de há 4 anos.

No mesmo sentido, o Valor Acrescentado Bruto mostrou tendência idêntica, registando uma quebra homóloga de 8,0% em volume, acentuando-se assim de forma clara o ritmo de contracção da actividade do sector.

A quebra do investimento público, tem sido um dos factores que mais tem condicionado o crescimento económico do país e que muito tem afectado a indústria da construção. A importância deste sector para a economia, para o emprego e para a estabilidade social exige uma rápida inversão deste ciclo pelo que são grandes as expectativas dos empresários em relação ao Orçamento de Estado para 2007.

As carências de infra-estruturas, em Portugal, são ainda enormes e o património construído nos centros urbanos vai-se degradando irreversivelmente. As Sociedades de Reabilitação Urbana criadas, em Maio de 2004, com vista a promover a reabilitação urbana em zonas históricas e em áreas críticas de recuperação e reconversão urbanística, tardam a apresentar resultados concretos muito por culpa da falta de incentivos à reabilitação. Note-se, de acordo com o INE, desde 2004, o número de licenças emitidas pelas Câmaras Municipais para a reabilitação de edifícios habitacionais diminuiu 11,1%, enquanto que as licenças para construção de habitação nova registaram uma queda de apenas 4,0%.

No mesmo sentido, o mercado de obras públicas, vê a sua situação degradar-se continuamente, atingindo, em Setembro, valores aflitivos no que concerne ao nível de actividade, da carteira de encomendas, das perspectivas de criação de postos de trabalho e perspectivas de produção com reduções de 18,2 p.p., 21,7 p.p., 13,0 p.p., e 8,9 p.p. respectivamente, face a igual mês do ano transacto.

Não obstante a recente reforma de lei do arrendamento, ainda não se vislumbram sinais do seu efeito no terreno, nomeadamente ao nível da reabilitação urbana, segmento de mercado que ainda não mereceu uma atenção prioritária que viabilize o investimento e o torne atractivo e rentável. Só criando uma nova dinâmica no mercado de reabilitação urbana, será possível gerar confiança e potenciar o investimento neste importante segmento de mercado.

Pode efectuar o dowload da conjuntura em formato PDF, aqui.

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