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Síntese de Conjuntura do Sector da Construção Civil e Obras Públicas
Ao longo de 2006 houve uma evolução muito negativa da conjuntura do sector da construção civil e obras públicas. Na realidade, o ano desenvolveu-se numa trajectória de deterioração da actividade constante e gradual, devendo ter terminado o ano com uma redução da actividade de aproximadamente 6%. Acresce, porém, que 2006 foi o quinto ano consecutivo de crise o que traduz, em temos acumulados, uma quebra de cerca de 24% do investimento em construção. Este facto, único na União Europeia, assume proporções críticas, quando se reconhece que, na economia global, é imprescindível possuir infra-estruturas em número e qualidade suficientes para enfrentar uma competição cada vez mais intensa entre países e regiões.

Efectivamente, o nível de confiança dos empresários, medido pelo Indicador Global de Conjuntura da AICCOPN tem vindo a agravar-se sistematicamente acumulando uma queda de cerca de 5 pontos percentuais (p.p.), em 2006. Note-se que, quer o indicador de conjuntura do segmento da habitação quer o do segmento das obras públicas apresentaram, em Dezembro, reduções de actividade, atingindo os 3 p.p. na habitação e 9 p.p. nas obras públicas.

A situação vivida no mercado das obras públicas, durante o ano de 2006, revelou mesmo uma travagem brusca do nível de actividade de 28 p. p., fruto de uma redução de 16 p.p. da carteira de encomendas e 11 p.p. nos preços praticados. Realça-se que, nos primeiros 11 meses de 2006, as adjudicações de obras públicas acumulavam uma variação homóloga de -50,2% em número e de -52,0% em valor, face a igual período do ano anterior.

Mais, à crise que se verifica no mercado da construção de habitação nova, medida pela redução do número de fogos licenciados, nos primeiros 10 meses de 2006, na ordem dos 4%, que acumula com a redução registada no período de 2001 a 2005 de 35%, deve ser ainda somado o facto do mercado da reabilitação de edifícios habitacionais registar uma diminuição do número de licenças emitidas de cerca de 5%. Com efeito, esta contracção no mercado de reabilitação significa que os proprietários, e em especial os que detêm habitações arrendadas, ainda não vislumbraram vantagens concretas em iniciar a reabilitação das suas propriedades. De facto, a reduzida taxa de rentabilidade permitida pelo novo regime de arrendamento urbano (4%) e a inexistência de apoios à neste segmento não incentivam a reabilitação urbana que o país carece.

Por último, salienta-se que as perspectivas para a economia portuguesa para 2007, apontam para um cenário um pouco mais animador do que o observado nos anos mais recentes. A Comissão Europeia, através das suas previsões de Outono, estima uma evolução de 1,5% do PIB para 2007, ou seja, uma leve melhoria face ao previsto para 2006 (1,2%). No entanto, este cenário mais animador não é extensível ao sector da Construção, já que as perspectivas para a evolução da sua actividade mantêm-se sombrias, realça-se que a associação europeia Euroconstruc prevê para Portugal uma redução da produção do sector, em 2007, de cerca de 3,9%.

Pode fazer o download da conjuntura, aqui.

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