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AICCOPN QUER CONSTRUÇÃO COMO MOTOR DA ECONOMIA

A economia portuguesa só conseguirá crescer de forma significativa se houver uma clara aposta no sector da construção, porque numa economia global é preciso ter os melhores portos, aeroportos, vias de comunicação (estradas e caminhos de ferro) e plataformas logísticas. De acordo com Reis Campos, Presidente da AICCOPN - Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, o peso desta actividade no investimento total e no Produto Interno Bruto (PIB) do país são de tal maneira significativos que "sem uma construção forte e dinâmica não será possível alcançar a recuperação económica de que Portugal necessita com carácter de urgência".


Apesar de vir a acumular perdas sucessivas de actividade há cinco anos, numa quebra acumulada que é já superior a 24%, o sector da construção representa, 10,7% do emprego, cerca de 5,2% do PIB e 48,8% do total do investimento feito no país. São números significativos mas que, apesar de mostrarem a importância do sector na actividade económica e na estabilidade social do país, ficam aquém dos que se registam nos países europeus que apresentam maiores índices de crescimento económico.


Veja-se, por exemplo, o caso da nossa vizinha Espanha, que em 2005 registou um crescimento económico global de 3,5%, com a construção a empregar 13,3% dos activos e a crescer 5,4%, ou seja, mais 2% que o todo da economia do país, representando 10,4% do PIB e cerca de 58% do total do investimento. E se olharmos para a Irlanda, um dos países com crescimentos mais significativos, verificamos que também em 2005 o sector da construção representou 19% do PIB e cerca de 74% do investimento total no país.


"Estes dados dizem bem da importância da construção na economia dos países que mais se desenvolvem e deveriam ser, por isso, alvo de reflexão por parte do poder político português. A contenção do défice público é prioritária mas não deve, nem pode, ser conseguida à custa do desinvestimento na construção", sustenta Reis Campos, sublinhando mesmo que uma construção forte será o motor de que a economia portuguesa precisa para poder recuperar terreno face aos países mais ricos da União Europeia.

O desinvestimento a que Portugal tem assistido no sector da construção civil e obras públicas tem sido um dos factores que mais tem contribuído para a estagnação económica. Nos últimos anos, ao contrário do que aconteceu em outros períodos, a falta de obras foi evidente tanto no plano dos investimentos públicos como no dos privados.


Para dinamizar a economia é necessário avançar desde já com um conjunto de obras públicas capazes de gerar actividade para as empresas, garantir postos de trabalho e criar uma nova dinâmica de investimento. É preciso, também, criar os incentivos necessários para estimular o mercado da reabilitação urbana, com, um peso marginal no conjunto da construção em Portugal, apesar do estado de degradação inqualificável a que chegou o parque habitacional dos centros urbanos do país, mas é responsável por níveis de actividade de 30% e mesmo mais em muitos dos países europeus.


O sector da construção, pelo seu peso específico na criação de riqueza e de emprego, mas também pelos efeitos que tem em diferentes sectores de actividade a montante e a jusante, pode ser o verdadeiro impulsionador da retoma económica do país. Existem oportunidades para relançar a confiança dos investidores. Só é preciso dar-lhe os estímulos necessários.

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