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INDECISÃO É INIMIGA DE INVESTIMENTO
O Presidente da AICCOPN - Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, considera que a polémica que a localização do novo aeroporto de Lisboa tem provocado vem provar que Portugal sofre de um enorme défice de planeamento de médio e longo prazo, mas também de uma grande incapacidade de decisão política, o que prejudica o investimento e afecta de forma inequívoca o sector da construção e obras públicas.

Sem tomar partido por qualquer das localizações agora em confronto, Ota, Alcochete, ou outras, mas lamentando este novo compasso de espera para mais estudos, Reis Campos pergunta-se por quanto tempo mais Portugal vai viver neste clima de avanços e recuos que descredibilizam o país e tem efeitos devastadores na sua economia pela incerteza criada.

Para o sector da construção o que está em causa não é uma localização ou um projecto específico. "Há tanto para fazer neste país no domínio das infra-estruturas, mas também no da habitação, nomeadamente no plano da reabilitação urbana, que o que é dramático e chocante é a escassez de investimento público e privado", sustenta Reis Campos, lembrando que no primeiro trimestre de 2007 o investimento continuou em queda. E, recorde-se, o futuro aeroporto representa apenas 7% do investimento total previsto no QREN.

Na verdade, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, no primeiro trimestre deste ano o investimento caiu 2,3% em volume face ao trimestre homólogo de 2006. Algo que não pode ser estranho face à manutenção de uma política de investimento público muito tímida, incapaz de servir de alavanca à economia e de gerar a necessária confiança na generalidade dos investidores privados.

É esta falta de investimento que explica a fraca retoma económica do país, face a uma União Europeia que continua a crescer mais depressa e a aumentar os patamares de divergência face a Portugal, quando seria expectável o inverso.

A aceleração do crescimento da economia portuguesa só será possível com um forte contributo do sector da construção. Mas, sem investimento, não será possível à construção gerar mais emprego e impulsionar o crescimento do PIB.

Há dois anos, quando o Governo anunciou o Programa de Investimentos em Infra-Estruturas Prioritárias (PIIP), quantificado em 25 mil milhões de euros de investimentos públicos e privados, havia uma clara ambição e um quadro de referência que pressupunha um planeamento de médio prazo muito importante para todos os agentes económicos e em particular para o sector da construção.

O sector e o país, não podem ficar à espera da decisão sobre o novo aeroporto. Se os grandes projectos são essenciais, não faltam áreas em que o país está carenciado de obras. Para além de outros exemplos que poderia referir, há inúmeras infra-estruturas básicas que continuam por fazer ou concluir. Basta pensar nas estradas que temos, nas redes de distribuição de águas e saneamento, nos hospitais e escolas, em melhores portos, em mais barragens e noutras obras para produção de energia, para além da melhoria da rede ferroviária tradicional.

O importante é, pois, planear cuidadosamente e decidir com rigor. E quando isso acontecer não pode haver hesitações. Só assim Portugal poderá construir um futuro melhor.

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