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Construção sustem queda e melhora perspectivas


Em contrapartida, agora que o Imobiliário origina preocupação em mercados como o dos Estados Unidos e Espanha, o risco em Portugal é substancialmente diferente, mais relacionado com a fraca dinâmica do mercado, embora, em alguns segmentos, essa fase pareça estar (finalmente) a ser ultrapassada.

De facto e à semelhança do que se está a passar na economia portuguesa, o sector da Construção parece ter interrompido a quebra continuada que vinha registando desde 2002, evidenciando alguns sinais positivos sem, contudo, se poder falar já em recuperação efectiva.

Assim, nos sete meses já decorridos em 2007, alguns segmentos de actividade começam a evidenciar uma relativa sustentação do nível de actividade, salientando-se neste aspecto a evolução da construção de edifícios não residenciais cujos indicadores apontam para uma recuperação sensível, assim como, a engenharia civil, que parece beneficiar de um relativo crescendo das adjudicações dos concursos de obras públicas.

Apesar destes sinais de alguma esperança de inflexão, o andamento global do Sector permanece, contudo, num registo negativo influenciado pelo andamento decepcionante da construção de edifícios residenciais e, ainda, no que respeita à produção no segmento das obras públicas.

Indícios desses comportamentos são os valores ainda negativos do consumo de cimento (-1,8% até Julho), do crédito à habitação (-10,1% nos contratos até Março) e na concessão de licenças para a construção (-10% até Abril).

Como é já habitual, os indicadores do emprego apresentam-se em contradição, com o Inquérito ao Emprego a evidenciar um andamento positivo de 1,6% no 1º Trimestre, valor que nenhum dos outros indicadores acompanha.

Confirmando a ligeira inflexão que começa a firmar-se no andamento dos indicadores, também o inquérito mensal à opinião dos empresários dá nota de alguma melhoria quanto ao nível de confiança e às perspectivas de produção.

Cresce número de empresas em actividade

Em Agosto, a ténue subida no número de empresas detentoras de alvará, face ao mês anterior, não foi ainda suficiente para fazer baixar dos 15% a perda que se verificou, desde Janeiro do ano corrente, no número de empresas devidamente habilitadas para exercer a actividade da Construção. Segundo o InCI, esse número rondará, actualmente, as 22.770 empresas, face a 26.743 registadas no início do ano.

Pelo contrário, o número de títulos de registo emitidos, os quais habilitam entidades para exercerem a actividade realizando obras de pequeno montante (até 15.500€), continua a registar um acréscimo, de cerca de 15% desde o início do ano, rondando presentemente, os 28.130 (24.391 em Janeiro de 2007).

Neste contexto empresarial, é de salientar que o índice FEPICOP de empresas activas tem revelado um comportamento ligeiramente positivo desde o início do ano corrente, ao passar de um valor de 107, 7 em Janeiro, para 108,2 em Julho, dando sinais de uma ténue reanimação da actividade empresarial, mesmo tendo em conta as crescentes exigências no cumprimento das formalidades legais exigidas pelo InCI.

A acompanhar essa evolução, verifica-se também alguma recuperação do Indicador de confiança FEPICOP, o qual atingiu em Julho o valor mais favorável dos últimos 21 meses, a par de ligeiras melhorias ao nível das opiniões dos empresários sobre o ritmo de actividade e sobre a situação financeira das empresas.

Em síntese, nos primeiros sete meses de 2007 observou-se uma ligeira recuperação da confiança dos empresários da Construção, assente em perspectivas mais positivas de evolução da produção, bem como numa ténue expansão do número de empresas activas no mercado.

A contrariar esta evolução, assiste-se , contudo, à manutenção de elevados níveis de concorrência no mercado das obras públicas, com os valores de adjudicação dos concursos a ficarem, em média, muito abaixo das respectivas bases de licitação (-13,2%, até Julho). Esta situação, que já se prolonga há demasiado tempo, continua a ser um dos principais problemas assinalados pelos empresários e é, certamente, uma importante causa da avaliação extremamente negativa que os responsáveis das empresas fazem da conjuntura vivida nesse mercado.

Emprego com melhores perspectivas

A par do inesperado aumento registado no número de trabalhadores do Sector durante o primeiro trimestre de 2007, pelo Inquérito ao Emprego do INE, assiste-se a uma redução consistente do número de desempregados oriundos do Sector, inscritos nos centros de emprego. Esta evolução, que é semelhante à do número de desempregados global (se bem que mais intensa) traduziu-se em variações homólogas trimestrais de -9,7% e de -17,9% nos primeiros trimestres do ano corrente, implicando a diminuição do peso do número de desempregados da Construção no número de desempregados total (10,1% e 9,6% em Junho de 2006 e de 2007, respectivamente).

Quanto à evolução futura, os empresários são actualmente menos pessimistas do que há um ano atrás, o que, associado à evolução do número de desempregados, permite antever um andamento menos desfavorável do emprego nos meses que se avizinham..

Produção de Obras Públicas tende a melhorar

A produção global do sector da Construção tem vindo a registar uma quebra desde o início do ano, resultante de decréscimos na actividade de construção de edifícios residenciais e não residenciais públicos, e nos trabalhos de engenharia civil. Pelo contrário, assiste-se a um reforço assinalável da produção de edifícios não residenciais privados, o qual contribui para se atenuar a redução da actividade global do Sector.

Deste modo, no trimestre terminado em Julho, a estimativa FEPICOP aponta para quebras homólogas de produção, em volume, de 6,5% no caso dos edifícios residenciais, de 6,7% no que concerne aos edifícios não residenciais públicos e de cerca de 3% no que diz respeito aos trabalhos de engenharia civil. Não obstante, um crescimento muito significativo, de cerca de 25% em termos homólogos trimestrais até Julho, estimado para a componente privada da construção não residencial terá permitido que o produto global da Construção tenha recuado apenas marginalmente nesse trimestre.

Esta evolução favorável da construção não residencial privada deverá estar associada ao melhor desempenho da Economia, sendo a construção de espaços comerciais e de áreas industriais os principais responsáveis pelo dinamismo deste segmento, segundo a informação disponibilizada sobre áreas licenciadas por destino de edifício.

Ainda segundo os indicadores FEPICOP, a tendência de evolução da produção do Sector a curto prazo poderá ser mais favorável, dado que a recuperação que se vem observando no mercado das obras públicas, com o aumento registado na carteira de encomendas das empresas que nele actuam, deverá em breve reflectir-se positivamente na produção, contribuindo, em conjunto com a construção não residencial privada, para uma evolução menos negativa do nível global de produção do Sector.

Todavia, a FEPICOP estima que se prolongarão as fortes dificuldades sentidas nos segmentos dos edifícios residenciais e não residenciais públicos, comprometendo, para já, uma recuperação mais marcada da produção do sector da Construção.

Comparação Internacional

Em termos globais, os resultados do Inquérito Mensal à Actividade do sector da Construção apontam para um ligeiro abrandamento do nível de confiança dos empresários europeus. Ainda assim, em termos médios, o indicador global, ajustado sazonalmente, encontra-se num patamar bem mais positivo do que o referente aos empresários portugueses (valores de 106 e 80 para os índices relativos à média da Europa a 25 e a Portugal, respectivamente).

No caso do nosso País, as opiniões emitidas sobre a carteira de encomendas, que registaram um ligeiro recuo em Julho, foram a principal causa para a descida do nível de confiança, já que, em termos de emprego, as respostas dos empresários portugueses traduziram-se num saldo menos desfavorável, relativamente ao mês anterior.

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