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Conjuntura - FEPICOP - Setembro
Construção anima com promessas de investimento público

No momento em que algumas economias começam a dar sinais de abrandamento e, particularmente, o imobiliário enfrenta dificuldades, uma relativa vantagem decorrente do péssimo desempenho que o sector da Construção tem evidenciado em Portugal nos últimos seis anos é a de ter descido tanto que, agora, praticamente só pode subir.

E, na verdade, os sinais positivos já detectados nos últimos meses, particularmente em Julho, prolongaram-se em Agosto, parecendo consolidar uma situação mais favorável do que a vivida nos anos anteriores.

Esta perspectiva positiva detecta-se especialmente no segmento da construção não residencial (sobretudo nas obras privadas) e, em alguma medida, no sector das obras de engenharia civil, onde o andamento dos concursos públicos parece em recuperação efectiva.

Em sentido contrário continua a evoluir a construção de habitação, com taxas de actividade muito negativas. E este poderá ser o segmento mais afectado com o encarecimento e a escassez do crédito em consequência da crise que afecta os mercados financeiros a nível internacional.

Reanimação das obras públicas

O Governo já reconheceu que a economia nacional não conseguirá crescer ao ritmo pretendido enquanto a produção da Construção continuar a cair. E o próprio Primeiro Ministro anunciou a intenção de aumentar o investimento público neste sector, assistindo-se já a uma variação ligeiramente positiva da actividade deste segmento (+ 1.7 por cento ao longo do trimestre terminado em Agosto), que se espera venha a ser reforçada em 2008. Mas, de momento, continua a verificar-se um agravamento da concorrência no mercado de obras públicas, com os preços de adjudicação cada vez mais degradados (em média 13.8 por cento abaixo das respectivas bases de licitação), problema ao qual há que adicionar os atrasos nos pagamentos por parte do Estado e das autarquias.

Também a produção de edifícios não residenciais privados está a evoluir positivamente, reflectindo o maior dinamismo da economia nacional no seu conjunto.

Daqui decorrerá o alegado aumento do emprego na Construção indicado pelo INE e que se situaria em 7.900 novos postos de trabalho, num Sector que já tinha perdido dez vezes mais trabalhadores nestes últimos anos.

Seis anos de queda na Habitação

Pelo contrário, a construção de Habitação, que representa só por si quase metade da produção do Sector, continua em quebra pelo sexto ano consecutivo, sem que se vislumbrem quaisquer sinais de reanimação. Nem outra coisa se poderia esperar de um mercado que deveu a sua expansão exclusivamente à redução das taxas de juro e que nunca foi objecto de uma política integrada por parte dos governos das últimas décadas.

A comprová-lo está o NRAU - Novo regime do Arrendamento Urbano que, em vigor há cerca de um ano, não atingiu nenhum dos objectivos que se propunha, especialmente revitalizar este mercado e dinamizar a reabilitação urbana. E só quem não quer não vê que nunca os atingirá.

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