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FEPICOP
O surto de novas obras anunciado pelo Governo nos últimos meses tem suscitado diversas questões na opinião pública, muitas vezes lançadas pelos mesmos sectores que sempre se têm manifestado contrários à pejorativamente designada "política do betão".

Agora, que o Sector parece finalmente ter condições para recuperar das quebras do últimos anos, eis que as mesmas vozes se revelam preocupadas com a dificuldade que as empresas nacionais poderão evidenciar para acorrerem a tantos concursos e executarem um volume de obras como o anunciado para os próximos anos.

É evidente que o ideal seria que o mercado apresentasse sempre uma distribuição sustentada, sem quebras na procura, de modo a permitir um crescimento progressivo e sem sobressaltos da economia e uma estruturação das empresas sedimentada na confiança no futuro. E já agora que a procura fosse harmoniosamente distribuída, tanto em função dos tipos de obra como da dimensão dos concursos, de modo a que todas as empresas tivessem sempre trabalho, independentemente da respectiva dimensão ou área de especialidade.

Desse modo, seria possível às empresas organizarem-se, modernizarem-se e equiparem-se de forma adequada e de acordo com uma perspectiva de longo prazo.

Mas o mercado não é perfeito, a conjuntura económica e os ciclos de actividade política contribuem para a sua distorção e as empresas têm forçosamente que se adaptar a esses circunstancialismos.

A FEPICOP - Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas garante que as empresas nacionais estão prontas e aptas a executarem todas as obras anunciadas pelo Governo, de modo nenhum sendo necessário fomentar a entrada no mercado nacional de construtoras estrangeiras, agora que o investimento em construção iniciou um período recessivo no país vizinho. Atendendo à reciprocidade sempre desejável neste e em todos os domínios, deve, de resto, ter-se presente que apesar da crise que assolou o Sector em Portugal nos últimos seis anos, nunca as construtoras nacionais encontraram quaisquer oportunidades de trabalho no mercado espanhol nesse período.

Por outro lado e em matéria de concentração empresarial, o órgão de cúpula do associativismo da construção considera que a escolha das melhores estratégias para as suas empresas, nomeadamente em termos de dimensão depende essencialmente da existência de um plano de investimentos robusto, com uma calendarização estável, a exemplo do que se passa nos restantes países europeus. Ao Estado não compete decidir sobre o tamanho das empresas mas sim regular o mercado e garantir a existência de condições que permitam o desenvolvimento de uma concorrência sã e transparente. Os modelos de uma eventual concentração sectorial deverão, assim, ser definidos pelo mercado e pelas próprias empresas, em resposta aos desafios que tenham de enfrentar - tal como sucede em muitos outros sectores de actividade.

A FEPICOP recorda que este é um sector que em todos os países é composto por um elevado número de empresas, sendo a esmagadora maioria delas de pequena ou média dimensão. De facto, se em Portugal, de acordo com dados do INE referentes a 2005, cerca de 90% das empresas que operavam no sector tinham menos de nove trabalhadores, em Espanha, por exemplo, nesse mesmo ano 86% das empresas também tinham menos de nove trabalhadores. E este cenário é comum à generalidade dos países europeus.
A Federação da Construção considera, assim, que o importante neste momento é assegurar que não se verifiquem novos atrasos na adjudicação efectiva das obras que têm vindo a ser lançadas a concurso nos últimos tempos, pois apesar de todos anúncios efectuados a actividade do Sector voltou a cair 3,2% nos quatro primeiros meses de 2008.

Se há críticas que ninguém pode fazer às empresas de construção portuguesas é a de que alguma vez tenham sido incapazes de se moldarem às circunstâncias do mercado. A todos os desafios que lhes têm sido lançados elas responderam sempre com disponibilidade, prontidão e eficácia. Nenhuma obra ficou por realizar por falta de capacidade das construtoras nacionais.

E não vai ser desta vez que a situação se vai alterar.
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