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Conjuntura do Sector - Agosto

O sector da Construção atravessa uma profunda crise, com quebras significativas na sua produção, no número de empresas e nos postos de trabalho que assegura. A redução acentuada da procura que lhe tem vindo a ser dirigida tem constituído um dos principais problemas com que o Sector se debate. Mas também os atrasos nos pagamentos às empresas de construção, muitos deles da responsabilidade do Estado, têm vindo a assumir enormes proporções e a ditar o encerramento de muitas empresas e o sacrifício de um número muito significativo de postos de trabalho.

A agravar esta situação, surgem crescentes dificuldades de acesso ao crédito bancário, quer pelas empresas, que a ele recorriam para financiar a sua actividade, quer por parte das famílias, que, sem ele, vêm reduzidas as suas hipóteses de aceder ao mercado imobiliário, acentuando, dessa forma, a redução drástica da procura dirigida às empresas de construção.

Efectivamente, a situação no que concerne à concessão de crédito é preocupante. Os resultados mais recentes do "Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito", divulgados pelo Banco de Portugal, revelam uma crescente restritividade associada à concessão de crédito, quer a empresas, quer a particulares, nomeadamente, neste último caso, para aquisição de habitação. Seja pela deterioração nas condições de acesso dos próprios bancos ao financiamento, seja pelo aumento do custo do capital, ou ainda por maiores exigências ao nível da liquidez das entidades bancárias, o facto é que a concessão de crédito à economia é agora menor e, segundo as perspectivas dos próprios bancos, a restritividade na concessão de crédito vai ainda aumentar, de forma expressiva nalguns casos, durante os próximos meses.

No que respeita à Construção em particular, os dados disponibilizados pelo Banco de Portugal mostram que o montante de crédito concedido pelas Instituições Financeiras às empresas de construção decresceu 3,4%, entre os primeiros cinco meses de 2010 e o mesmo período de 2011, fazendo diminuir de 21,4% para 20,7%, o peso desse crédito no valor total de crédito concedido à globalidade dos sectores de actividade. Por outro lado, a parcela do crédito à construção que é classificado como sendo de cobrança duvidosa é crescente (de 6,9% para 8,9%, no período analisado).

Já no que respeita ao crédito concedido a particulares para compra de habitação, ressalta o facto de se ter registado, até Maio, uma queda de 34% no montante global das novas operações de crédito concedido, face a igual período do ano anterior, o que é um claro reflexo da forte quebra verificada nas vendas de fogos habitacionais.

Observou-se, assim, em Julho, um acentuar do pessimismo dos empresários, reflectido num novo agravamento do indicador de confiança calculado com base nas opiniões expressas através do Inquérito Mensal à Actividade da FEPICOP, o qual registou uma quebra de 14,9% no último trimestre apurado.

No que respeita ao mercado de trabalho e de acordo com o IEFP, o número de desempregados oriundos do sector da Construção inscritos nos centros de emprego ultrapassava os 70,8 mil em Junho, representando 14,7% do total de desempregados. Este peso relativo tem-se revelado crescente ao longo do tempo, em linha com a tendência de redução observada pelo emprego do sector da construção no total de emprego da economia (9,2% no primeiro trimestre de 2011, face a 9,6% no mesmo período de 2010 e a 10,1% um ano antes).

Ainda a confirmar o reduzido nível de actividade do Sector, destaca-se a quebra de 12,7% apurada para o consumo de cimento no mercado nacional ao longo dos primeiros seis meses do ano, o que coloca o consumo realizado deste material (2,4 milhões de toneladas) ao nível mais baixo da série iniciada em 1991.

Para avaliar das grandes dificuldades sentidas no mercado residencial, importa destacar a quebra de 31% no número de fogos novos para habitação licenciados até Junho, face a igual período de 2010. Em média, foram licenciados 1.523 fogos por mês, no ano corrente, o que compara com 2.038 em 2010 e 2.251 em 2009.

Neste enquadramento, os empresários da Construção portugueses continuam a revelar um pessimismo acentuado, contrariamente aos seus congéneres europeus, os quais, em termos médios, encaram o futuro com um razoável optimismo. A justificá-lo, estes últimos assinalam uma franca recuperação na dimensão das carteiras de encomendas das suas empresas, em contraste com a redução verificada no caso português.

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